—Muito, sr. D. Francisco de Athayde.
—Não o parece. Vejo-o vigoroso, o seu olhar ainda tem a luz da mocidade, o timbre da sua voz é sonoro como nos tempos em que jurava paixões que cavavam sepulturas. Tudo me diz que v. ex.ª vive para si, para sua esposa, para sua filha, para as glorias do tempo e para uma velhice agradavel e tranquilla.
—Erra v. ex.ª o seu juizo. Tenho sido muito desgraçado, sou, e se'-lo-hei sempre. A minha expiação é a vida. Mas quer-me parecer extranha a intenção com que v. ex.ª me procura. Posso, em breves termos, saber a sua missão?{77}
—Simples. Beatriz de Noronha não tem um irmão que lhe vingue a morte. Resta-lhe no mundo um amigo, com pouca vida, mas com uma vaga recordação das suas armas, e um braço, que póde com ellas.
—Vem portanto, v. ex.ª desafiar-me?
—Sim, senhor.
—É uma pendencia melindrosa. Peço a v. ex.ª que medite tres dias.
—Medito-a ha vinte e dois annos.
—E crê que o derramamento do nosso sangue será agradavel á doce alma de Beatriz dos Anjos?
—É.