—Vamos ao fim da historia, que eu tenho urgencia do tempo.{142}

A historia acabou-se. Agora venho dizer-lhe que não será minha nem sua Maria Henriqueta. Juro-lh'o pelo meu sangue e pelo meu nome. Um de nós ha-de morrer.

—E o que viver póde casar com ella, não é assim? Eu cuidei que v. ex.ª tratava de a matar a ella, o que seria muito mais feio e triste. Em quanto a mim, sr. conde, posto que me sinta um pouco amante da vida, se fôr sua vontade arrisca'-la-hei contra a sua espada, por lhe dar gosto. V. ex.ª já fez favor de me dizer que teve em França muitos duellos, e eu sinceramente lhe digo que não tive ainda nenhum. Todas as vantagens são do meu contedor. Estou ás ordens, depois de cumpridas as do meu regimento. Está satisfeito?

—Os seus fóros?

—Os meus fóros de fidalgo, pergunta?

—Sim.

—Quer v. ex.ª saber se me ha de matar como fidalgo ou como peão?

—Não me meço com peões.

—Isso agora é uma impertinencia, sr. conde! Afflige-me esse seu zelo de gentil-homem, e por lhe conhecer a boa vontade que me tem, usarei a immodestia de lhe dizer que v. ex.ª sabe quem eu sou, nem eu creio que denegue fé á dama, que lhe disse meu nascimento e educação. Agora é minha vez de lhe perguntar pelos seus fóros, sr. conde de Monsão.

—Os meus... fóros? pergunta-me o senhor a mim...