—Pois que sejam felizes.
—A nossa filha só póde ser feliz com o teu perdão.
—Tu ahi tornas!...
—E tornarei sempre; quer Deus que eu seja a sua voz ao teu bom coração. Perdoa-lhe, primo!{169}
—Foi para isto que me chamaste?! Eu logo vi que era demencia esperar allivios... Se ella tem fome, manda-lhe dinheiro; se está abandonada, diz-lhe que torne para o convento, e lá terá abundancia.
—Nem fome, nem abandono, Gonçalo! Parece que dás mui baixo preço a tua filha! Aquella menina tão linda e prendada, haveria homem que a abandonasse?
—Linda era a outra que...
—A outra qual?
—Nada...—disse Gonçalo, sacudindo a visão de Beatriz de Noronha.
—Ignoras tu—proseguiu D. Maria—que o pae de Filippe é rico, e extremoso pelo filho? Eu sei que os esposos viveram em Hespanha com todas as commodidades, e nunca Maria me pediu a menor cousa, nem as suas joias, nem os seus vestidos. O que ella pede é a estima de seu pae, e quer pedir-te perdão pela bocca de sua filhinha, que tem sete mezes. Não se te alegra o coração com a esperança de teres nos braços uma creancinha, filha de nossa filha?