É parte d'este capitulo trasladado dos apontamentos. Quem presenceou o successo mais fielmente lhe dará as côres:

«A porta da egreja era costume deixa'-la fechada por dentro, e a chave ficava na porta, ficando a cargo da escrivã abri'-la de madrugada.

«A porta do commungatorio ficava aberta, porque parecia cousa impraticavel o poder alguem, que não fosse puro espirito, evadir-se pela ministra.

«Escolheram para a fugida a hora em que a communidade, depois do côro, se ajuntava no refeitorio.

«A primeira que saíu foi a fidalga, mas, segundo eu depois soube, passou torturas para enfiar os largos hombros por entre o estreito postigo; e do ultimo e já desesperado repuxão, que fez, foi bater com a face nos degraus do altar-mór, e feriu-se grandemente na testa.

«A orphã, como era muito delgadinha, saíu com menos custo.

«Depois, Maria Henriqueta, limpando o sangue da ferida, abriu a porta da egreja, e saíram.{188}

«Ás dez horas da noite, conforme o costume, foi a sachristã temperar a lampada do Santissimo Sacramento, e viu aberta a porta do commungatorio, e as portinholas da ministra tambem abertas.

«Antes de mais averiguações, começou a gritar a sachritã. Desceram algumas pensionistas á egreja e viram a porta da egreja cerrada.

«Todas, a uma voz, disseram que Maria Henriqueta fugira. Foram ao quarto d'ella procura'-la, e d'ahi passaram ao de Rita de Cassia.