Fr. Antonio fez menção de levantar-se e continuou:
--Tenho-o talvez privado dos seus divertimentos...
--Não, senhor... pelo contrario tem-me dado momentos de muita satisfação...
--Encho-me de prazer, se o consegui... E como tenho a honra de ser hospede de v. ex.a...
--Mestre...--interrompeu Alvaro com alegria sincera.
--Não posso acceitar esse lisongeiro titulo;--amigo, se v. ex.a me quizer honrar com este parentesco.
--Não me embaraça... Tenho muito prazer em que esteja...--disse Alvaro, apertando-lhe cordealmente a mão.
--Tenho obrigações a cumprir para com Deus: não faltará tempo proveitoso para os meus deveres com o proximo. Não sabe v. ex.a que os padres teem um breviario, que a cada hora do dia lhe recorda o dever de orar por aquelles, que não cedem alguns minutos á oração? Filhos de Deus, pedimos uns pelos outros; e Jesus Christo beneficiou-nos com a riqueza da prece, com este patrimonio commum a todos os irmãos... E não é isto uma consolação para os que são atheus por contagio e não por convicções; fanaticos e supersticiosos por ignorancia e por estupidez?
--A respeito de atheismo... tenho... minhas... duvidas...--disse Alvaro com palavras entrecortadas por aquella pausa emphatica, semelhante á ironia dos sabios, segundo a moda.
--Pois bem... Temos zelo e vontade para acertarmos... Deus hade conceder-nos o tempo, que é o desengano de todas as duvidas... Até outra occasião...