E retirou-se contra os desejos de Alvaro. Mas fr. Antonio conhecia o coração do homem. Chamara-o Deus para uma empresa trabalhosa. A força descia-lhe do céo. Não era em si que elle confiava.
XII
Mal o padre saíra, entrou Gonçalo da Silveira. Era o pae que procurava o filho: cumprimentou-o com a sua habitual frieza: mas o que de outras vezes era proposito, poderia então suppôr-se distracção. Alvaro absorvido nos seus pensamentos, quaesquer que elles fossem, parecia meditar uma das suas heroicas façanhas, sobresaltado, como quem recua diante de algum perigo assustador. Julgara-o assim o pae, julga-lo-iam assim os domesticos, e os cumplices, elle proprio, talvez, se se visse n'um espelho.
--Que tens?... pareces-me somnambulo!?--disse o pae.
E Alvaro affavelmente respondeu:
--Pelo contrario: estou acordadissimo... muito accordado, penso eu.
--Falaste com o egresso?
--Sim, senhor.
--Que te pareceu?
--Um homem bom, virtuoso e extraordinario.