—Como?... Não te comprehendo...

—Será a victima do seu opprobrio... Perderá a estima de todas as pessoas de bem, e a tua...{205}

—A minha? não! não que o amo...

—Has de odial-o, quando a sociedade o abominar... Mas não antecipemos as consequencias d'essa loucura... Se ella é verdadeira, lembra-te que vou casar com o homem que teu marido mais respeita. Eduardo, se ousar erguer os olhos para mim, ha de baixal-os envergonhados. Se é uma paixão... Paixão!—repetiu ella falseando n'um sorriso a dissimulada duvida.—Paixão!... não creias que tal sentimento possa nascer n'um homem que me respeita e deve conhecer que o desprezarei... se se atrever a manifestal-o...

—E nunca t'o manifestou?...

—Porque me fazes tal pergunta?

—Mas dize, Julia, nunca t'o manifestou?

—Não...—respondeu sem turvação a interrogada, rosto a rosto.—Que lembrança a tua!

—É verdade... Lembrou-me se seria para ti a carta que eu hoje te mostrei...

—A carta?!