—Ó filha, essa palavra em cartas de namoro não tem significação assustadora...—replicou Julia jovialmente.—Creio que não recebi uma só carta das muitas que devolvi, em que essa funebre responsabilidade me não fosse imputada; e nenhum dos muitos que me escreveram se matou...
—E como tu pódes rir, sendo tamanha a minha infelicidade, ó Julia!...
—Não exageres, creança!—animou a noiva de Venceslau Taveira com incrivel frieza de animo.—Teu marido ha de voltar para ti curado pela reflexão e melhorado pelo remorso de te haver sacrificado á mais estupida vaidade que podia desnortear o tino d'um homem intelligente.
—Mas não te magôa vêr que é necessario acabarem as nossas relações?
—Como? acabarem...—acudiu D. Julia espantada.
—Sim... acabarem... Com que alma hei de eu estar na tua presença e na de meu marido?!
—Então queres dar ao caso as proporções do escandalo?—replicou Julia altivamente.—Dirás a teu pae que Eduardo me fez a côrte? Obrigar-me-has a dizer a Venceslau que as nossas relações se romperam, porque teu marido me namorava? Permittes que a nossa sociedade me considere a infame que te amou o marido,{208} e a ti a honesta dama que me expulsou de sua casa, e não quiz manchar-se no descredito da minha?
—Jesus! onde tu vaes!—exclamou D. Anna—pois, se eu deixar de ir a tua casa, é forçoso que se publiquem estes desgostos que ninguem sabe?
—É: ha de sabêl-o teu pae, ha de sabêl-o o homem que não será meu marido... nem eu o quero... com tal condição. E, depois, tu tens força para a lucta horrivel que vaes travar com teu marido, se publicares a sua deploravel fraqueza? E não temes que teu pae, já tão quebrado de forças, morra de pena de ti, odiando o homem, que eu, tão enganada pelos teus olhos, affirmei havia de ser um excellente esposo?
—Que hei de eu então fazer, Julia? Aconselha-me...