Venceslau, terrivelmente sereno, depoz o papel sobre a mesa, retrocedeu ao longo do corredor, e, no fim, parou, escutando passos em uma das salas. A este tempo já elle ouvia o chorar de D. Anna que tambem retrocedêra para o seu quarto. O andar, que escutava, era do pae de D. Anna que subira para as salas e estava esperando o effeito da intervenção do amigo.
Venceslau, estugando o passo surdamente, passou{263} sem rumor na alcatifa da sala de espera, desceu a escada, e sahiu á rua.
O commendador, entretanto, como não ouvisse vozes, mas sómente o arquejar da filha, murmurando: «ah! pobres creancinhas!» seguiu o corredor, e foi dar com ella apanhando do chão as cartas espalhadas.
—Que papeis são esses?—perguntou o commendador.
—Nada, meu pae... cartas...
—O Venceslau sahiu com Eduardo?
—O Venceslau!—disse ella com espanto.—Onde está elle?!
—Veiu para aqui... ha de haver cinco minutos... não o viste?
—Não, meu pae! Elle esteve aqui? aqui? n'esta salêta?—exclamou Anna.
—Esteve, sim, filha.