—E viu estas cartas?—bradou com as mãos afincadas nas fontes.

—Se viu estas cartas?... Eu sei lá, filha... O Venceslau era incapaz de ler papeis que estivessem no teu quarto... Mas, se essas cartas são o que eu entendo, que importaria que as visse?

—Jesus! Virgem Santa!—volveu D. Anna, enclavinhando os dedos, e estirando os braços supplicantes para uma imagem da Mãe de Christo.

—Mas onde está elle?—tornou o velho.—Se não sahiu pelo quintal, por onde é que foi? Eu estava na sala do meio, e não o vi passar na sala de espera...{264}

—Não? não viu?...—perguntou ella precipitando as vozes acompanhadas de gestos de pavor.

—Não, menina...

—Então é que viu as cartas... sabe tudo... sabe tudo...

—O que?—acudiu o commendador assombrado.

—Ai! quem fosse procurar Eduardo...—exclamou ella, agitando-se d'um para outro angulo da salêta—ó meu pae, salve-o, salve-o; mande procurar meu marido, que Venceslau mata-o... Estas cartas são de Julia...

—De Julia?!—bradou o velho, encostando-se tremente ao alizar da porta—De Julia? Julia é amante de teu marido?... Venceslau foi deshonrado pela mulher?... Oh! não me digas isso, filha!... Tu estás cega pela paixão do ciume... Deixa-me vêr essas cartas...