Aconselhou-lhe a prudencia que, antes de interrogar o amigo sobre o caso suspeito, obtivesse e certeza, para que as advertencias assentassem na culpa incontestavel.{73} N'este em meio, chegou a Eduardo a nova da morte do pae, e por tanto a sahida temporaria do herdeiro para a provincia.
No espaço dos dois mezes de ausencia, espiou Venceslau o coração de D. Anna, e tão facilmente quanto era de esperar da candura da menina, descobriu a saudade no empenho das perguntas e desejos de vêr as cartas de Eduardo.
Além de que, D. Julia, em pratica sósinha com o jornalista, perguntou-lhe se o seu amigo alguma vez lhe tinha confidenciado sentimentos amorosos.
—Muitos e profundos, minha senhora—respondeu Venceslau, despercebido da pergunta intencional.
—A respeito de quem?
—Da sancta que ha dez annos está no céo.
—Ah! eu não perguntava isso...
—Que era então, snr.ª D. Julia?
—Já vejo que me enganei... Eu referia-me...
—Á sua amiga D. Anna Vaz? Respondo que não, minha senhora. Eduardo Pimenta nunca me revelou, depois que D. Antonia de Portugal morreu, affectos a outra senhora. Isto, porém, não é desmentil-o, se elle disse o contrario. Eduardo é tão meu amigo que me não confia tal intento, se o tiver.