—Já sei que me vae dizer que sentiu por ella o digno amor que lhe tem declarado nas suas cartas...
—Sem duvida...
—E eu lhe assevero que ella o ama com toda a candura e sinceridade dos quinze annos.
—Ignorando que me realisou o presagio dos renovados infortunios...
—Que infortunios!.. Vê tudo tão negro, senhor Eduardo!...
—Como hei-de eu dizer a V. Ex.ª que vou fugir da sua amiga, á semelhança de quem foge d'um segundo abysmo?
—Fugir!... que ingratidão!...
—E que injustiça me faz, snr.ª D. Julia! Ingrato, eu! Se uma alma invocada podésse descer do céo a depôr contra essa dolorosa iniquidade!... Eu, que nem pude ser ingrato a uma sombra!...
—Se não é ingrato, que nome darei ao homem que motivou um amor extremo, e diz que vae fugir da pobre menina que nenhum desgosto lhe deu? Quem o obriga a fugir?{95}
—A honra.