—Mas—volveu Francisco Vaz, depois de um longo silencio, acompanhado de gestos que significavam desgosto e perplexidade—não é possivel combinarem-se a continuação da frequencia de minha casa com a desistencia das intenções do seu amigo? Não poderá elle ser meu hospede sem ser o namoro de minha filha?
—Sei pouco do coração humano, snr. Vaz; e por isso appéllo da minha ignorancia para a experiencia que{118} lhe deram a V. S.ª os annos e a vida das salas. O entreverem-se duas pessoas que se amam e violentamente se apartam, será bom expediente para as desligar? Se os olhos do rosto se contemplam, deveremos suppor que os olhos da alma se fechem? Que responde V. S.ª?
—Que tem razão. Melhor é que não se vejam. Mas eu peço licença para visitar o snr. Taveira.
—Tamanha honra lhe pediria eu, se me não faltasse a ousadia.
—Adeus. Não lhe desbarato mais tempo. Abraço o irmão de meu filho, e deponho nas suas mãos o meu socego e a innocencia de minha filha. Defenda-nos a ambos, já que eu perdi quem devêra a esta hora velar a honra de seu velho pae e a inexperiencia de sua irmã.
Abraçaram-se estreitamente, chorando ambos.{119}
[X]
Venez après cela crier d'un ton de maître
Que c'est le cœur humain qu'un auteur doit connaître!
Toujours le cœur humain pour modèle et pour loi!
Le cœur humain de qui? le cœur humain de quoi?
Celui de mon voisin a sa manière d'être.
Mais, morbleu! comme lui j'ai mon cœur humain, moi.ALF. DE MUSSET.—Namouna.
Chegada a noite d'aquelle dia, e já corrida a hora costumada das visitas, Anna Vaz perguntou a Julia:
—Que será isto? elles não vem!