—Na morte é que eu confio...—replicou Anna, apertando a mão de Julia.

—Tens febre... A tua mão escalda!—clamou a surprehendida senhora.

—Vou deitar-me... Doe-me muito a cabeça... Não posso voltar á sala... Está lá gente, e não quero que me vejam assim... Olha, se vires Eduardo, dize-lhe que me escreva, que me deixe morrer com a certeza de que elle me lamenta e ama, sim? Não te custa a trazer-me as cartas, Julia?

—Não, filha; sem tu m'o recommendares, já eu tencionava dar-te esse prazer; mas com a condição de que has de ter coragem e prudencia.

—Pois sim, pois sim: faço o que tu quizeres...

—Então, vem á sala.

—Não posso, Julia... Olha que me sinto muito doente. Hei de estar melhor ámanhã, depois de chorar muito.

O commendador, n'este lanço, mandava perguntar{124} á filha se o chá teria demora, porque o conego, eructando o mal esmoido repasto nocturno, reclamava uma bebida digestiva.

Foi Julia á sala, e disse que a sua amiga se deitára molestada da cabeça.

Francisco Vaz cravou os olhos coruscantes na hospeda e murmurou: