—Acho que não... porque, se lh'o digo, ha desordem grande em casa, e meu pobre pae morre de paixão. Tu não vês como elle já está soffrendo só de me vêr triste, e de o vêr a elle tão descuidado de nós?...
—Nem a teu pae dizes nada?...
—Deus me livre!... Se elle via esta carta, estalava de dôr...
—Tu és uma sancta!—exclamou D. Julia, abraçando-a arrebatadamente.
—O que eu sou é uma grande desgraçada!—emendou Anna.—Que me dizes então, Lulu?{185}
—Que queres que te diga, se o teu plano está feito? Quem a si mesma se aconselha com tanta dignidade, não tem necessidade de conselho.
—O que eu queria era que tu descobrisses quem é a mulher; e, se ella fosse tua relação, a expulsasses d'esta casa, ou me não convidasses a mim...
—Dizes-me isso tão desabridamente, filha! Não te convidar a ti!...
—Digo-t'o com amargura, mas sem desabrimento, minha amiga. Que gosto posso eu ter em vir a uma casa onde sei que ha uma mulher que me escarnece...
—Bem vês, menina, que a mulher a quem esta carta foi escripta não póde escarnecer-te... Não vês que ella despreza teu marido!