«Venceu emfim as procellas
«E o pavor da escuridade!
«Dai-lhe a vossa claridade,
«Ó lucilantes estrellas!
O soneto relativo ao sr. Oliveira Martins não carece de prosa que o desculpe. Este eminente escriptor e fecundissimo talento sabe, ha muitos annos, quanto eu admiro as suas aptidões litterarias e virtudes civicas.[{14}]
Esses versos foram ditados no dia em que se esperava a nomeação de S. Ex.ª para os conselhos da corôa, onde o discreto publicista não quiz subir, para não descer.
A flecha da satyra pode alvejar certos homens porem não os fere. A couraça do talento, retemperada pela honra, é impenetravel.
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O soneto Te-Deum Laudamus d'esta collecção necessita de esclarecimentos que me absolvam da culpa da maledicencia. Eu não tive em vista satyrisar nem sequer ligeiramente melindrar o cavalheiro protogonista d'esse inoffensivo poemeto.
Destinei enviar a um jornalista eminente o soneto com uma carta que lhe tirasse as asperesas da mordacidade. Não sei que motivo se deu para que as rimas ficassem até[{15}] agora ineditas. Isso não impede que os versos e a prosa sejam publicados. Dizia assim a carta:
«Considero com respeitosa admiração as faculdades civicas e os talentos do sr. conselheiro Marianno de Carvalho. Ha-de haver 15 annos que Antonio Augusto Teixeira de Vasconcellos m'o assignalou como o mais esperançoso luctador da arena politica.
«Li muitos dos seus artigos humoristicos onde achei confirmado o vaticinio do grande mestre da polemica e da critica.
«Congratulei-me com os amigos de S. Ex.ª quando, ha poucos dias, uma eventualidade auspiciosa o salvou do desastre d'um descarrillamento na via ferrea d'Hespanha.