Não foi: estava-lhe reservado menos brilhante, mas mais pacifico destino.
Um dia, appareceu em Landim um homem de Barcellos, procurando a mulher, que trouxera da roda dos expostos, em 1851, uma menina chamada Amelia. Vivia ainda a ama que a creára. Foi chamada a exposta á presença do homem que se dizia portador de uma fausta nova.
Chegou Amelia, o recebeu do velho desconhecido o tratamento de excellencia. Cuidou-se ella ludibrio do sujeito, e riu-se ás casquinadas para lhe agorentar o prazer da zombaria.
No em tanto, o velho, composto gravemente o aspecto, disse-lhe:
--Minha senhora, não é para gargalhadas a missão que venho cumprir...
--Pois v. s.a está a dar-me excellencia!--volveu Amelia.
--Dou-lhe o tratamento de seu pai e seus avós. Seu pai, o snr. Alvaro de Mendanha, antiquissimo fidalgo e representante dos alcaides-móres de Barcellos, falleceu ha tres dias com testamento, em que declara que houvera de uma sua parenta, áquelle tempo freira no mosteiro de Vayrão, uma filha, que por justos motivos expozera, assignalando-a com o nome e outras circumstancias. Acrescenta que tem noticia de existir em Landim essa menina, que elle reconhece sua filha, e a institue sua universal herdeira. É v. exc.a por tanto a herdeira do snr. Alvaro de Mendanha.
A ama abriu a bocca e despediu um ah surdo, que vinha da garganta afogada pelo jubilo.
Amelia quedou-se immovel, pensativa, triste, e murmurou:
--Se meu pai sabia que eu estava aqui, porque me não levou para a sua companhia?