Aqui tem o leitor, como coronal d'este padrão de vergonha patria, o officio do intendente Manique ao corregedor que executou brutalmente a demolição da barraca em que Lunardi gastára os seus poucos recursos:
«Vm.ce logo mandará chamar o mestre carpinteiro Joaquim Pereira, que o foi da Praça construida para a machina aereostatica de ordem do capitão Vicente Leonardi, para dar logo principio a demoli-la e deita-la abaixo, não lhe admittindo subterfugio algum a este fim, e devendo amanhan sesta feira dar principio á demolição para o que lhe mandará embargar os carpinteiros de obra branca e de machado, que lhe forem necessarios: igualmente mandará vm.ce notificar o dito capitão Vicente Leonardi para este mesmo fim. Deus guarde a vm.ce Lisboa 28 de agosto de 1794.==Diogo Ign.eo de Pina Manique.==Snr. Luiz Dias Pereira[9].»
Os frades e a estupidez tinham vencido.
Não sei se lhe abriram subscripção ao pobre italiano para o livrarem de Portugal e das presas do Manique. O que sei é que os poucos, que o applaudiram, apenas podiam dar-lhe... versos.
E, depois, a gente irrita-se quando os estrangeiros nos não enfileiram na vanguarda da civilisação!...
[8] Que grammatica a d'este afamado intendente geral!
[9] Estes documentos autographos podem vêr-se na livraria do insigne bibliophilo, o snr. Innocencio Francisco da Silva, que me fez a honra de os aceitar.
RANCHO DA CARQUEJA
São justas as reflexões do estudioso antiquario o snr. Joaquim Martins de Carvalho, redactor do Conimbricense.