Era Ignez de Almeida, filha de Manoel Castanha, escrivão em Lisboa.

Ignez era formosa e honesta.

O conde de S. Miguel, já viuvo de D. Isabel de Mendonça, filha do segundo conde de Penaguião, apaixonou-se por Ignez. Frustrados na esquivança da moça todos os artificios do ouro com o prestigio da pessoa, o conde accedeu á condição que ella estipulou: o casamento.

Divulgou-se em Lisboa o disparatado consorcio, que toda a fidalguia censurou, e D. Francisco Manoel metteu a riso, dando o noivo como resvalado e cahido por cambapé que lhe fez o diabo.

No entanto, o escrivão Castanha rejubilava por se vêr tão egregiamente aparentado.

Volvidos dous annos, apaixona-se o conde por D. Isabel Cecilia de Tavora, filha herdeira de Alvaro Pires de Tavora.

Este fidalgo com os da sua parentella, e com os estranhos, escandalisam-se do proceder deshonrado do marido da Castanha, o qual ousa requestar uma donzella de primeira linhagem.

O conde defende-se, publicando que não é legitimamente casado com Ignez Castanha.

E, feita a infame declaração, separa-se d'ella e do filhinho, que se chamava Nuno.

Ignez, ferida no coração e na honra, protesta que é legitima esposa do conde de S. Miguel.