--Aqui, porque fica sendo casa, e ao mesmo tempo memoria de ter estado n'este sitio um homem honrado.

--Ou dous--emendou o brasileiro--Dê cá um abraço, e vamos embora, que faz aqui frio.

E, no decurso do caminho, proseguiu:

--O snr. Alvaro ha de fazer-me o favor de se despedir do serviço do tabellião, se lhe não custar. Preciso de quem me represente n'estas obras, em quanto vou tratar de negocios a Lisboa. Eu cá lhe deixo as plantas das casas dos pobres, e o capital para o custeio das despezas.

*
* *

O brazileiro voltou, passados seis mezes. Todas as casas estavam já de parede e tecto, quando voltou, excepto a do pobre chamado Alvaro.

--Com que então a casa n.º 35 ainda não tem sequer os alicerces?---perguntou o bemfeitor.

--É porque o pobre n.º 35 não precisa tanto como os outros--respondeu o feitor.

--Então vou eu ser agora o fiscal das suas obras--tornou José Maria.

E, ao outro dia, fez convergir os melhores operarios para a bouça do pombal, e mandou arrazar a vivenda de centenares de andorinhas que se esvoaçavam ao primeiro troar dos alviões e marretas.