Alvaro e José Maria assistiam ao derrubamento do pombal, um tanto condoidos do esgazear das espavoridas habitadoras das ruinas.
N'isto, um pedreiro esboroando com a alavanca um pedaço de parede, descobriu uma superficie escura, que se lhe figurou lousa.
--Que diabo de obra é esta de lousa em parede de cantaria?--disse o alvenel.
O brazileiro abeirou-se da parede, apalpou a supposta lousa, e observou ao pedreiro que era pau e não lousa, mandando socavar dos lados, e alimpar a superficie do que quer que fosse.
--Isto é um caixote!--disse o mestre da obra--querem vossês vêr que o diabo as arma?
--Arma o quê?--perguntou José Maria Guimarães.
--V. s.ª nunca ouvia dizer que os fidalgos de Real esconderam um thesouro que nunca se encontrou?
--Já ouvi dizer isso. Atirem a baixo toda a pedra que está dos lados, e não embarrem no caixote. Cuidado lá com isso! Snr. Alvaro, parece-me que vai assistir á resurreição do melhor defunto dos seus avós--bradou o brazileiro.
--Como?!--perguntou Alvaro, que vinha entrando no recinto do pombal.
--Venha vêr. Apalpe. Que é isso?