--Parece-me um caixote--disse o bisneto do capitão-mór.

--Não é parece; é que é. Sabe o que lá está dentro? Sabe a historia dos trezentos e tantos mil cruzados de seu bisavô?

--Ouvi dizer que...

--Que nunca appareceram. Apparecem hoje. Estão alli.

Alvaro de Andrade que tinha encarado o infortunio de trinta annos com intemerato aspecto, descorou em frente da taboa negra que devia ter dentro uma cousa chamada, bem ou mal, a fortuna.

A este tempo, o caixote era apeado, suspenso entre quatro robustos braços.

--Oh! como pesa!--gemeu um dos pedreiros.

--Podéra não!--disse o brazileiro--trezentos e tantos mil cruzados!

--Os rios correm para o mar, snr. Guimarães--observou o mestre d'obras.

--Que quer dizer, mestre?--perguntou o brazileiro.