E mais tarde--ardia dezesete dias a cidade nova dos phenicios, por ordem expressa do senado, e, na voragem e horror do incendio, saqueava a soldadesca infrene as immensas riquezas, que sete seculos alli tinham accumulado.

A fé punica é uma calumnia historica, inventada pelos romanos, cujo odio e ciume, sem repouso nem tregoa, sobreviveram á carnificina mais cruel e hedionda de que rezam as chronicas e lendas da antiguidade.

Aceitemos, pois, Carthago como a imagem do aniquilamento, e da destruição.

Seja a fé punica, na inversão da phrase, o estigma e ferrete da lealdade latina.

A Grã-Bretanha será a Carthago do futuro, como é, na sua machiavelica e perfida politica, a Roma do passado, do presente e do porvir.

Alliança e alliados, na bocca de qualquer governo inglez, diz um escriptor liberal, quando não são palavras enganadoras, são, pelo menos, palavras sem sentido.

Sem sahirmos do seculo XIX, desde o porto da capital da Dinamarca até ás muralhas de Metz e trincheiras de Sédan, são longas e monstruosas as provas da fé britannica, e da lealdade ingleza. Hudson Lowe, o carcereiro do Prometheo moderno--imagem do abutre roendo-lhe as entranhas nos rochedos de Santa Helena, será a ignominia e affronta eternas dos algozes da Irlanda.

Estamos nas amuradas de Bellérophon.

Entremos no convez.

Antes do desenlace final d'esta tragedia antiga, que parece modelada por Sophocles ou Euripides--escrevia Napoleão ao principe regente de Inglaterra a seguinte carta: