Parece que o judas de Gomes Freire sentia lagrimas nas faces. É para crer que o Rosa-Cruz da maçonaria desejava que o diabo levasse os pedreiros livres. Aqui fica José d'Andrade Corvo.
A segunda carta que apontam os Annaes, diz assim:
«Carta da rainha a el-rei, estando em Salvaterra.
«Meu amor.--Agora me dizem, que os nossos inimigos teem espalhado em Lisboa, que eu pretendia fazer esta manhã uma revolução para ficar regente com o nosso filho Miguel, e mandar-te para Villa-Viçosa: isto é uma aleivosia muito grande, e n'ella por certo entrará o dr. Abrantes; e por isso te peço ordenes ao intendente, que proceda rigorosamente a este respeito, pois tu bem sabes que eu não desejo senão viver socegada, e que tu sejas feliz. D'esta tua--C. J.»
«Esta carta escripta de Queluz--continua o author dos Annaes--e sem data, confirmou mais el-rei na existencia da conspiração contra a sua pessoa, por se recordar de que outra identica lhe tinha escripto a rainha para o Alfeite em 1807, por occasião da conspiração tramada em Mafra.»
O livro a que me refiro tem a seguinte nota:
«Estas cartas acham-se hoje impressas na Policia secreta, publicada pelo intendente da mesma.»
Voltemos a Gomes Freire. Tinha nascido em Vienna d'Austria em 27 de janeiro de 1727, filho de Ambrosio Freire d'Andrade e Castro, embaixador de Portugal, e da condessa de Schafgoch. Descendia, por tanto, d'uma familia entroncada na antiquissima casa dos condes da Trava, e na dos Pereiras, Forjazes, e Bobadellas, e entre os seus antepassados contava Jacintho Freire d'Andrade, o panegyrista de D. João de Castro. Reputado o melhor general de infanteria portugueza, servira na Russia com um valor inexcedivel, combatêra no Roussillon em honra da patria, e depois de ter deixado o seu nome ligado ás glorias do imperio voltára para Portugal em seguida á paz do continente.
Os odios e invejas accendiam-se, e abrazavam em torno d'esta illustre victima.
Um dia o povo ha de narrar este prologo afflictivo da liberdade de Portugal.