Dizem que o Bernardim Ribeiro, poeta, deixára uma filha.

O Bernardim, commendador, deixou dous filhos e uma filha: Luiz, Manoel e D. Maria de Menezes.

Luiz Ribeiro Pacheco herdou a commenda de seu pai, e serviu-a em Ceuta. Casou com D. Catharina de Athayde, filha de Francisco de Portugal, e já viuva de Fernão Gomes Dragão.

Manoel serviu commenda em Tanger, e morreu solteiro.

D. Maria de Menezes casou com Luiz da Cunha, cognominado o Pequenino.

De Luiz Ribeiro Pacheco nasceu Bernardim Ribeiro Pacheco, fallecido antes de casar. Os haveres vinculados passaram para sua tia D. Maria de Menezes.

Temos ainda outro Bernardim (ou Bernardino) Ribeiro, que era o governador de S. Jorge da Mina, e sahiu abrasado do cerco de Mazagão em 1526, consoante a Chronica de D. Sebastião, por D. Manoel de Menezes.

Tres Bernardins andam, pois, fundidos no cantor da Menina e Moça, Deus sabe com que bullas em affinidades intellectuaes: parentes com certeza eram.

Se um dos tres amou a filha d'el-rei D. Manoel, de semelhante ousadia é justo censurar-se o poeta, embora d'ahi lhe promane a sua romantica immortalidade. Se o matassem na rua Nova os moços do monte d'el-rei, como dizem as Memorias ineditas de Diogo de Paiva de Andrade, a catastrophe assim contada no poema, no romance, ou na tragedia maiores realces daria ao desditoso provençal. Morrer assim, ou morrer commendador, e macrobio, como querem Garrett, e Costa e Silva e tantos outros engenhos atilados, são cousas diversissimas para a arte, que houver de assentar o pedestal do solitario bardo da serra de Cintra.

Mas a verdade é outra.