Era aquelle Duarte Ribeiro de Macedo cujas cartas impressas o meu leitor illustrado conta em o numero dos seus mestres de bem escrever. Nos braços d'elle, e de sua filha—esposa de um cavalheiro illustre, pai da escriptora de Sainctonge—expirou o irmão do heroe da Terceira, aos noventa e sete annos de idade.

Que recordações revoluteariam n'aquella alma! Que synopse de immensas angustias! Como veria elle desdobrarem-se noventa annos de recordações, desde a infancia de D. Sebastião, através da catastrophe de Alcacer, dos heroismos dos Açores, dos sessenta annos de esforços vãos contra a pobreza amparado pela honra do nome portuguez, e por fim... morrer alli, ás sopas de estranhos, porque D. João IV lhe dissera:

«Morre de fome, que eu não vou tirar os teus bens aos filhos dos que venderam a patria!»

[10] Assim subscreve a approvação do testamento de D. Antonio, e assigna uma carta a Philippe II que ao diante se lerá.

[11] Historia de Portugal... t. II, pag. 602. D. Antonio nomeou Scipião de Figueiredo conde de S. Sebastião—accessorio que nenhum escriptor menciona, senão Caramuel (Philippus Prudens, pag. 302), que tratou com singular benevolencia os partidarios de D. Antonio, por entender que nenhum contrapeso faziam na balança em que Philippe III, em 1689, no ultimo anno do seu reinado, mandava pesar os seus direitos.

[12] A carta e resposta de Scipião de Figueiredo possuimol-as na collecção de Ineditos de D. Manoel Caetano de Sousa. Nos historiadores apenas encontramos noticia perfunctoria de haver sido tentado o suborno do governador pelo principe de Eboly.

Estas cartas foram impressas em uma apologia de D. Antonio, escripta por Scipião de Figueiredo contra D. João de Castro. Na duvida em que estão os bibliophilos sobre a authoridade d'essa apologia decide João Caramuel no seu Philippus Prudens, etc. pag. 171 e 172, na lista dos authores que escreveram a favor de D. Antonio: Cyprianus de Fuigueredo... sed Scipio... publicavit Epistolam, quã notas facit Philippo II, caussas quibus movebatur ut individuus comes non desereret ipsum Antonium, cui ab annis pluribus in honor e maximo servievat. Édidit etiam Apologiam pro Antonio contra D. Joannem de Castro, olim ex Antonianis, etc.

O titulo do livro que o cisterciense Caramuel denomina «apologia» é Reposta que os tres estados do reino de Portugal, a saber Nobreza, Clero e Povo, mandaram a D. João de Castro, sobre um discurso que lhes dirigiu sobre a vida e apparecimento d'el-rei D. Sebastião (s. l.), 1603, 8.º Diz o snr. Innocencio que entre pag. 75-80 está a carta que este dirigiu a Philippe II. Não sei se alli se encontra a carta que Philippe lhe enviou por Gaspar Homem. Este livro é um dos rarissimos da livraria portugueza.

[13] Historia de Portugal, l. c.

[14] Histoire secrete de Dom Antoine roy de Portugal, pag. 101.