[O NARIZ]
Na poesia moderna tem adquirido bastante importancia o nariz.
E, posto que a época vá muito de idealismo, repara-se mais nas ventas que nas faculdades moraes dos personagens epicos.
É certo que o nariz tem servido para formar maximas e aphorismos no regimen social, na sciencia chamada ethica—sciencia de que ninguem falla desde que a educação da mocidade passou a tisica com apparencias de hydropica.
Tudo esdruxulo.
Do nariz inferiram os observadores certos signaes de qualidades do espirito, e formaram anexins e regras que ainda vigoram, e já vem dos gregos, os quaes tambem tiveram nariz—(nira), por anagramma nari.
Em portuguez, ha muito proloquio sobre nariz e ventas.
Camões, querendo indicar a alegria na rubidez de um nariz a reçumar bom sangue agitado pelo jubilo, cantou em termos altos:
Tem vermelho o sangue do nariz.
«Ter cabellos na venta».