—Que achas?—perguntou Maria offegante com as mãos postas.

—É uma panella de ferro…—balbuciou elle.—Ó mulher!… tem mão em mim, que não sei o que me dá pela cabeça!…

—Nossa Senhora!—exclamou ella—Nossa Senhora!…

E, em vez de ter mão no homem, metteu ambos os braços até achar a panella, em quanto Silvestre abria e fechava a bocca em tregeitos de tão estupida felicidade, que só a suprema desgraça os poderá fazer iguaes.

N'isto, a rija mocetona arrancava da lura o peso enorme de ouro; e, cahindo de cocoras com o pote no regaço, exclamou suffocada:

—Ai Jesus! que eu morro de alegria!…

Sivestre apertava o ventre com as mãos. Esta postura não é ridicula nem inverosimil para os que sabem que os intestinos quasi nunca são estranhos ás commoções grandes.

Aos primeiros assomos da seguinte aurora, a parede estava arrazada. Os visinhos ouviram o ruido da assolação, e cuidaram que a derribára um pegão de vento.

Mas, na proxima semana, a obra da casa nova parára. O fogueteiro dizia aos seus bemfeitores que ia mudar de terra, e talvez mudar de vida

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