—T'arrenego!—bradou ella, recuando com as mãos postas na parte molestada.—Vossê atira? Tem má mânha!
—Cheguei-te?—volveu elle risonho, embiocando-se na felpuda coberta, e encostando-se á almofada de chita que estofava o espaldar do leito.
—Que brincadeira!—queixou-se a moçoila arrufada—podia-me matar com o couce, se me dá aqui no coração!…
E punha a mão no estomago.
—Isso não é nada, rapariga!… Olha se amúas!
—Nada, não é!… não que a barriga é minha…
—Pois tu com este frio de mil diabos, vens-me mexer na roupa, e de mais a mais puxaste-me pelo pé do joanete que tem a frieira aberta!…
—Então dissesse-o…—tornou ella com semblante ageitado á reconciliação—Salte d'ahi!… vá baptisar o engeitado; que, se elle morre sem baptismo, verá que ingranzeu se levanta na freguezia. Bem basta o que já dizem…
—Calça-me as meias de lã; mas tem cuidado que não se despegue o emplasto da frieira.
E, em quanto a môça com geitosa meiguice lhe encanudava nas pernas cerdosas as grossas meias alisando-lh'as ao correr da tibia, resmungava elle: