A tecedeira, que o esperava no adro, abeirou-se d'elle mostrando-lhe a cara roixa da criança. O padre olhou-a de esconso, e perguntou:
—É macho ou fêmea?
—É um menino—respondeu a viuva.
—Accenda um d'aquelles côtos—disse o abbade ao Isidro, apontando para os sordidos castiçaes de chumbo d'um altar—A pia tem agua?
—Vem ahi o meu rapaz com o cantaro.
—Vossês são os padrinhos? O rapaz hade chamar-se Izidro, ou então põe-se-lhe o nome do santo de hoje—observou o abbade, boquejando e benzendo a bocca, no limiar da porta travessa onde a mulher esperava, segundo o ritual.
—Hoje é dia dos Santos Reis—disse ella.
—É verdade—confirmou o padre, e scismou se Reis seria nome ou apellido. Não se lembrava de ter estudado esta especie.
—Os santos Reis Magos eram tres—proseguiu a tia Bernabé.
—Bem sei—acudiu o padre.