—Crês que a justiça divina me faça padecer innocentemente?...

—Mas a justiça humana...—interrompeu ella.

—Mulher de pouca fé!... Se visses a serenidade do meu espirito, vias em mim a influição de Deus!

As authoridades superiores, avisadas do acontecimento e do author indigitado do crime, mandaram guardar por soldados as avenidas da casa de Casimiro, para o prenderem de dia.

O academico deitou-se á sua hora regular, e obrigou a alvoroçada esposa a deitar-se com a filhinha inquieta.

Ás tres horas e meia da manhã rebentou de subito um ruido estridoroso na rua, depois de alguns repetidos brados das sentinellas.

Chegava a «Sociedade da Manta» acaudilhada por Guilherme Lira, em numero de vinte e tantos bravos, armados de refes e clavinas.

Os soldados outros tantos seriam. Á primeira carga inesperada, a tropa titubeou entre fugir ou defender-se, e, n’esta perplexidade, soffreu o desaire de ser desarmada e contundida com as proprias armas.

Libertas as portas, Guilherme chamou Casimiro, subiu e disse imperiosamente:

—Foge!