—Sentes em ti vocação ao sacerdocio?—reperguntou o padre com alegre sombra.

—Sinto, sim senhor; porque não hei de sentir?—disse Ladislau.

—Não tens pensado em outro futuro, meu sobrinho?

—Outro futuro!?—perguntou o moço como alheado na estranheza da insistencia.

—Sim: outro futuro... Pensaste alguma vez em te casares?

—Não senhor.

—Nem te pende para a vida de esposo e pai a inclinação de teu animo?

—Nem tenho cogitado n’isso.

—Pois pensa, sobrinho, pensa, que esta vida de padre tem grandes alegrias e grandes amarguras, como todas as vidas, todas as vocações. Se queres a paz, que me tens visto no rosto, entra na trilha de meus passos; os dissabores de dentro, esses, que são muitos, Deus te afaste o calix d’elles; mas se t’o der, acceita-o, que a remuneração é infallivel: acceita-o, meu sobrinho, que o descanço, vindo apoz a batalha, é ineffavel como o jubilo dos Santos. Ora pois: pensarás um anno; consultarás o teu espirito; e, em cada amanhecer, pedirás ao divino Espirito Santo que te allumie.

Antes de findado o anno, padre Praxedes deu a alma ao Senhor; e Sebastiana, que vivia para sepultar o ultimo vigario de S. João da Serra, lá ficou na campa mais proxima, adormecendo-se a beneplacito de Deus, como quem cumpriu sua missão.