A apparição do vigario na saleta da cadeia foi saudada com um brado de alegria. Cercaram-n’o todos, e beijaram-n’o todos.

—Eu só dou beijos em creanças,—disse elle em tremores de exultação.—Sr.ª D. Christina deixe-me dar á sua filha os beijos do avô.

—Fallou com o meu papá!—exclamou ella.—Está muito zangado contra o meu pobre Casimiro?

—Isso está, minha senhora! zangadissimo, feroz!

—Cuida que foi elle quem...—E reteve-se, relanceando os olhos ao marido, que a observava.

—Não sei o que elle cuida...—volveu o padre. A ira do fidalgo subiu ao ponto culminante d’elle mandar ao sr. Casimiro um conto de réis para o custeio das suas despezas judiciarias. É onde póde chegar a ferocidade humana!

—O sr. Ruy perdoou-me?—perguntou Casimiro mais recolhido que expansivo.

—Se isto não é perdoar... A mim não me encarregou de lhe notificar o perdão; mas á sr.ª D. Christina manda dizer que está perdoada. Aqui teem o dinheiro, que é ouro, e rasga-me a algibeira da sotaina.

Christina fez um gesto, significando ao padre que entregasse o dinheiro ao marido; Casimiro fez outro gesto, indicando Ladislau.