—Carreguei-as eu—afirmava Vasco.
—E foi-se a salvo!
—Quem sabe?!
—Não o viste correr sobre nós, e desfechar de perto, e retirar-se muito a passo? E depois não o avistaste a subir a charneca sobre o cavallo?
—Vi.
—Como queres tu que elle fosse ferido!?—retorquiu Gonçalo—Com meia pollegada á esquerda, o canalha mettia-me a bala na cintura—dizia elle levando a mão ao ante-braço direito—Eu é que estou ferido devéras... Não contávamos com isto, Vasco! O homem tem fibras!
Ao fim da tarde, sahiu da cocheira uma caleça de jornada apposta á parelha de machos.
N’esta occasião foi chamada á presença de seu tio, que mansamente lhe disse:
—Se tivesses pai ou mãi, mandar-te-ia para elles, sem te dizer a razão: tu a saberias de mais, e eu me pouparia á dôr e pejo de repetil-a. Entrego-te a teus irmãos. D’elles te defendi alguma vez; agora estou desarmado pelo teu proceder. Disse de mais. Ahi fóra está posta a caleça para conduzir-te a outra parte, segundo vontade de Vasco. Não vai Gonçalo, que está ferido da bala do homem que saltava os muros da minha quinta, com teu consentimento. Adeus, Eugenia.
D. Frederico entrou rapidamente no seu quarto, contiguo á sala, e fechou-se a chorar.