Foi a carta entregue á sr. Apollinaria, e o bilhete ao alferes de cavalleria, o qual, segundo veridicas informações da engommadeira da rua dos Barbadinhos, chorou, e vasou as algibeiras nas mãos tolerantes da sr.ª Apollinaria.
Escreveu o alferes uma longa carta a D. Eugenia. Principiava contando a descarga de dous tiros inuteis que lhe déram. Disse não conhecer as pessoas, que lhe atiraram, por virem rebuçadas, e estar ainda a limpar a manhã. Contou que o não feriram; mas suppunha elle ter sido mais certeiro na pontaria. Acrescentava que ia ser removido para Bragança, por intrigas e influencia dos irmãos de Eugenia; e declarava-se, a final tão desgraçado e desprovido de recursos, que não podia ir arrebatal-a das mãos da sua cruel familia, sem desertar, e collocar-se na precisão de ir perecer de miseria com ella em reino estrangeiro. Pedia-lhe, em summa de tudo, animo, e esperança.
Leu Eugenia a carta com profundo desgosto.
«Não me terá elle amor?!»—disse ella entre si.
Viu-a chorar a devotada Brites, e pediu-lhe o favor de lhe ler a carta. Quiz ouvil-a segunda e terceira vez. Consolidou as suas convicções com uma pitada e disse:
—Esse rapaz, quem quer que elle seja, tem tino na cabeça, e pensa bem. A menina por que chora?
—Nem sequer falla em vir vêr-me!...
—Pois se o pobre homem vai de marcha lá para cascos de rolhas, como quer a fidalga que elle deserte ás bandeiras, e venha aqui? E depois? que seria d’elle? e a sorte da minha flor do céu, era muito melhor!?...
Pudéram muito com D. Eugenia as razões de Brites, e mais ainda a promessa de tomar a velha á sua conta a correspondencia segura entre Bragança e Torres Novas.