E, cinco annos depois, e só então, lhe lembraram as palavras de sua mãi!... Era o seu anjo da guarda que as recebera então, e agora lh’as offerecia á memoria, como lenimento unico d’aquella funda ulcera do descredito, desgraça, e infamia.
Na noute d’esse dia, D. Alexandre desappareceu de Coimbra, foi caminho de Lisboa, d’ahi pediu sua legitima a D.Sueiro e sahiu de Portugal. Ha vinte e tres annos que foi, e não voltou.
XVIII
Mãi!
Ás duas horas da madrugada do dia seguinte ao das scenas descriptas no anterior capitulo, chegou á porta da hospedaria, chamada do Paço do Conde, uma carruagem, tirada por duas parelhas. Abertas as portas, apeou uma senhora, dando a mão a um padre velho que descera primeiro, e logo a creada. O padre, respondendo á pergunta do creado do hotel, disse que a senhora condessa de Asinhoso tomaria um caldo de gallinha, e voltou a receber as ordens de s. ex.ª
—Pergunte padre Francisco—disse ella—se hoje foi o julgamento de um academico chamado Casimiro de Bettancourt.
O padre foi cumprir, dizendo entre si: «que importa á senhora condessa o julgamento do academico, chamado Casimiro de Bettancourt? Pois será para assistir á audiencia que ella vem a Coimbra com viagens forçadas?!»
Volveu o padre, dizendo: