—Com que fim eras tu, Eugenia?—perguntou o fidalgo.
A condessa fitou a vista incendiada no irmão; e disse:
—Com o fim de saber se existia... meu filho!
Assim devia ficar uma familia de Pompeia, de subito, empedrada na invasão da lava fulminante. Uns a outros, com olhos pavidos, pareciam pedir o claro sentido d’aquellas palavras.
Casimiro sentiu lavaredas no seio e descerrou os labios á expedição do lume. Estrondeavam-lhe no encephalo umas allucinações de ebrio. Dos olhos de sua mãi afuzilavam umas como frechas que lhe cortavam de lampejos o curto espaço de ar intermedio. Para os outros, ha só o termo «estupefacção» que os descreva. A condessa oscillava outra vez assoberbada pela commoção nervosa; já se não sustinha, com as mãos apoiadas nas costas da cadeira. Levantou-as, estendeu os braços como a pedir amparo. Encontrou o seio de Casimiro, e n’elle inclinou a face, exclamando:
—Meu filho!...
Mas isto tudo é um sonho!—disse Ruy de Nellas, levando as mãos ás fontes.
Casimiro ajoelhou com a mãi nos braços. As duas senhoras, sem segura consciencia do que faziam, foram amparar a condessa. O vigario pôz as mãos em attitude de quem ora. Ladislau cruzou os braços no peito contemplando o grupo.
De subito, Casimiro afastou um pouco a face, contemplou o rosto pallido da condessa, beijou-a na fronte e disse: