—Tenho mãi, meu Deus!... Eu sabia que a tinha, e havia de encontral-a!...

Então, chorou, a torrentes!

Se não chorasse enlouquecia.


XIX
Paz e contentamento

Decorridas algumas semanas, o casamento de Casimiro Bettancourt com sua prima carnal D. Christina de Nellas era validado pelo nuncio apostolico, dispensando no parentesco, e saneando a ingnorada irregularidade. A condessa perfilhava Casimiro para lhe segurar a successão de seus grandes cabedaes. Casimiro, porém, com quanta delicadeza e respeito a ternura filial lhe inspirou, disse que só acceitava a perfilhação para ser seu filho, e não seu herdeiro. Ficou interdicta, e alheia da intenção da resposta, a condessa. O filho esclareceu assim a propria demencia:

—Minha mãi herdou de seu marido: eu, filho de outro homem, que morreu pobre, peço licença para ser estranho aos haveres do sr. conde de Asinhoso. Eu sou filho de D. Eugenia de Nellas. Minha mãi ainda tem a sua legitima n’esta casa de Pinhel. Essa acceito-a como dote para egualar o patrimonio de minha mulher.

—Pois sim, filho, faça-se a tua vontade—disse a condessa.—Por minha morte ficarás agricultando algumas geiras de terra em Pinhel, que valerão doze mil cruzados. Ficarás sendo um lavrador dos menos abastados da comarca. Minha sobrinha Guiomar virá senhorear-se do vinculo e da casa que é vinculada. Tu com tua mulher e filhos irás viver no casal da Rechousa, ou n’outro semelhante, que ameaçam ruina.