—Esse frade era meu pai—disse Ladislau.
—Seu pai!—exclamou o fidalgo, erguendo-se a abraçal-o.—Pois o marido de Peregrina é filho d’aquelle predestinado, a quem eu recorro ainda nas minhas angustias?
—E eu recorrerei tambem para que meu bom pai alcance do Senhor o socego de v. ex.ª
—Desculpe-me, que eu estou todo absorvido pela minha magua! Ainda não fiz senão carpir-me; porém o sr. Ladislau calculará, quando fôr pai, a natureza da minha dor... Que motivo o traz a esta casa?
—O seu infortunio, sr. Ruy.
—Pois sabia que minha filha fugiu? Já lá chegou a noticia? Foi sua mulher que o mandou saber a atroz verdade? É certo, é horrivelmente certo que essa desgraçada fugiu ha cinco dias, e todas as diligencias em procural-a com o infame raptor se tem baldado!
—A sr.ª D. Christina está em minha casa—atalhou Ladislau.
Ruy de Nellas aproximou-se, quasi rosto a rosto, de Ladislau, e exclamou:
—Que diz?! em sua casa? com elle?
—Não, sr. Ruy. Em casa do filho de fr. Braz Militão não se agasalham amantes fugitivos, salvo se elles forem tão desgraçados que não tenham pão nem tecto. Em minha casa está unicamente a filha de v. ex.ª; em casa do vigario está Casimiro Bettancourt.