Padre João, antes de recolher á vigararia para fazer entrega dos livros á posse do novo pastor, foi a Pinhel, e serenamente bateu ao portão do fidalgo.

Os creados receberam-o com má sombra, e um foi avisar o amo, e voltou dizendo:

—O fidalgo não lhe falla. Vá-se o sr. padre em paz, que o amo, se o vê, vai-lhe ao espinhaço.

—Diga ao sr. Ruy de Nellas que seu afilhado vem pedir-lhe perdão, e explicar o seu procedimento.

O servo, vencido pela humildade, voltou ao amo, e trouxe esta resposta:

—Que lhe não perdôa, nem quer ouvir explicações.

—Um de vm.ᶜᵉˢ—replicou o manso vencedor do Evangelho—faz-me o favor de lhe entregar uma carta?

—Entrego eu, disseram quasi todos.

—Volto já.

Sahiu o padre a escrever na primeira tenda que se lhe prestou. Dizia assim a carta: