Elle, que escrevêra aquillo, vinha agora offertando a uma mulher-rainha a monarchia da sua alma, á similhança de Filinto Elysio{27} que offerecêra a sua em dous versos de um soneto salobro como infusão de chicorea:

Nise gentil, que até á sepultura
Terás d'esta minh'alma a monarchia...

(Não podia deixar de ter a drastica mamona o verso).

Por algum tempo, o filho de Rozenda conciliou a mansidão de bardo amoriscado com as fumaças de publicista revolucionario; mas, por 1855, encontra-o a historia litteraria e politica da Europa a desviar-se notavelmente da vereda do Hugo, que lhe havia de ser bussola entre o Marrare-das-Sete Portas e o templo da memoria, se elle antes não pudesse trocar o nicho perpetuo do Pantheon por um logar vitalicio de aspirante de alfandega de raia sêcca.

Este genio, cujas guedelhas serpejavam, revoltas e besuntadas, como idéas a espumejarem-lhe do cerebro á feição do muco esverdinhado que esvurma das fauces de um chacal, revirou-se com effeito, perguntando ao governo se era decoroso que a um filho do snr. D. João VI—a um rei vencido e exul, se roubasse perversamente o seu patrimonio.

«Á casa do infantado, ao pão do proscripto, que lhes fizestes, ladrões?» bradava Victor Hugo José Alves no seu periodico socialista.{28}

E acrescentava:

«Roubastes o throno, desterrando o principe espoliado, como em encruzilhada da Calabria. Não vos bastava a usurpação de um titulo?

«Roubastes o altar, expulsando os seus ministros mendigos. Não quizestes que sobrevivesse no cenobio um só homem de bem que testimunhasse os vossos latrocinios!

«Salteadores!