—Tem de mim o snr. Victor—disse solemnemente D. Maria—o mais que posso offerecer a um irmão.—E logo, norteando a palestra n'outro rumo:—Ainda me falta pedir-lhe um favor, minha amiga. Queria eu que seu filho soubesse a maneira de eu remetter a meu pae tres contos de reis, que é o que posso liquidar das inscripçoens, tirando para mim o necessario para manter a minha lojinha de luvas.
—Ella cá torna com a mania! Então não muda de idéa?{71}
—Não.
O tom imperioso e sêcco da resposta fechou o debate.
D. Rozenda sahiu, promettendo communicar-lhe o que seu filho lhe informasse quanto ao modo de remetter o dinheiro.
No dia seguinte, D. Maria, recebidas as informaçoens, entregou a D. Rozenda os seus papeis legalisados para a venda.{72}
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[VII
OS TRES CONTOS DE REIS]
Por entre o labio torpe e podres dentes,
D'aquelle abysmo esqualido, que póde
Sahir que não tresande!?GOETH., Fausto Segundo—côro.
E n'aquelle tempo reinava em Portugal D. Pedro V—cidadão portuguez, que morreu honrado e sinceramente carpido.
Aquelle rei era triste, porque o sol ardente do espirito, o ardor da sciencia lhe crestaram o viço da juventude.