—Damião!... és incorrigivel!—bradou o conde.

—Palavra de honra, que não sei fallar com o menino! Sabe V. Ex.ª que mais, senhor conde? Ha por ahi duzias de amigos que o intendam e o enganem; eu cá por mim, sou d'esta laia. Digo as cousas toscamente como sei. Se a senhora fidalga é boa, não perde nada com a minha opinião; se não é boa, peor para ella. O que eu quero é que V. Ex.ª não soffra, nem seja enganado. Das duas uma, como dizia o meu mestre de logica: se ella o ama, case com ella; se o não ama, de que lhe serve padecer? Eu cá não queria mulher que me quizesse por compaixão.

Apezar da nimia tolerancia com que o escutava,{136} o conde pretextou qualquer motivo para cortar a conversação.

N'esse mesmo dia, Damião Ravasco foi á loja da luveira, com o disfarce de quem passava, e perguntou a D. Maria José se queria alguma cousa para o snr. conde.

—Elle está bom?—perguntou ella.

—Não, minha senhora.

—Não! que tem? está doente?

—Da alma.

—Saudades do pae?

—Tudo se ajunta. Saudades... e paixão....