—Fui eu que sacudi o pó a dous pirangas que...

—Tornas ao fadario antigo?... Que te fizeram?—volveu o conde mal assombrado.

—A mim? nada...

—Então a quem?

—Estavam a rinchar pachuchadas e chalaças á senhora alli da loja como quem derriça por uma mulherinha de pouco mais ou menos. Figurou-se-me que o snr. conde, se cá estivesse, faria o mesmo que eu fiz... Os cavallos estão endiabrados com a mosca! Olha a rédea falsa, rapaz! Vai ahi até ao Rocio, e desanda. Toca!... Não me deixes escarvar o gado que se escabreia... Olha o cavallo da mão... não no vês a arrifar?

—Espera!—disse o conde ao sota.—Eu volto a pé... Damião, salta para a almofada, mette os cavallos á cocheira, e espera-me em casa.

O mulato obedeceu constrangido. Vaticinava-lhe{142} o coração que ausentar-se era perder lanço de desemperrar as articulaçoens dos pulsos.

D. Maria de Portugal referiu o successo, colorindo-o nos promenores improprios da sua narrativa; mas entremostrando, nas hesitaçoens delicadas, que os offensores haviam merecido o castigo recebido.

N'esta conjectura, abeirou-se da porta um dos curiosos, que mantinham na rua o auditorio á espera da explicação da desordem, e disse para dentro que os dois janotas socados pelo mulato vinham do lado da Praça da Figueira com tres municipaes.

—Snr. conde!—disse D. Maria assustada—rogo-lhe que se retire...