Incutia receios o arquejar do peito da condessa, quando apeou da carruagem á porta do infante.

Sahiu D. Miguel de Bragança ao patamar da escada a recebel-os. Quando, com a mais{216} lhana cortezia, o principe offerecia a mão á dama, ella ajoelhou; e, suffocada por soluços, cobriu de lagrimas e beijos a mão que não pôde esquivar-se áquelle estranho transporte.

—Ó minha senhora!—exclamava o infante—por quem é! peço-lhe que se levante...

E olhava para o conde, como a pedir-lhe a explicação da anciedade da dama.

E o conde, com os olhos turvos de lagrimas, disse:

—Vossa magestade comprehenderá a perturbação de minha mulher, sabendo que ella é Maria José de Portugal, filha da snr.ª D. Marianna...

—Ah!—exclamou o infante—já sei... já comprehendo...

E, com maior esforço, inclinando-se até poder levantal-a dos seus pés, abraçou-a, beijou-a na testa, correu-lhe as mãos pelas fontes, e murmurou:

—Vi-a creancinha... de seis mezes...

E, tomando-lhe o braço, conduziu-a á sala, sentou-a na othomana, ao seu lado, lançou-lhe o braço pela cintura, e disse-lhe quasi em segredo: