—Verás!
XIV
Appareceu em Chaves Raphael Garção despedindo-se de viagem para França. Deixou um bilhete a seu tio Martinho Xavier, mostrando-se pesaroso de não poder abraçal-o. Notou no seu remember dezenas de encommendas das senhoras flavienses, novidades de Pariz, que ellas haviam de estreiar nas bodas da morgada de Santo Aleixo. O boato corrente era que o morgado de Fayões ia comprar a Pariz o presente de noivado, e encravar os brilhantes e adereços de sua mãe em feitios modernos.
Saiu Raphael por Hespanha, e entrou em Portugal pela Extremadura. Chegou a Lisboa, e informou-se da residencia de Ricardo de Almeida. Margarida Froment é quem dava nome ao transmontano em Lisboa. No hotel de Italia, na rua de S. Francisco, onde Raphael se alojara recatadamente hospedava-se um diplomata francez, conhecido da sua compatriota.
Ao outro dia, o morgado de Fayões escreveu a Ricardo de Almeida, marginando a carta com a recommendação de reserva. Chamava ao hotel de Italia o seu primo e amigo. Tudo primos! Pode chamar-se o romance dos primos esta novella!
—Que fazes em Lisboa?—perguntou o fidalgo de Aguiar.
—Vim aqui para esconder-me.
—Vens fugido?
—Não, homem: venho na piugada de uma mulher que me fugiu com a alma, e o marido com ella.