—Casada!... Agouro-te desgraça!...—atalhou gravemente Ricardo.

—Ah! tu estás assim?!... Onde tens tu vivido, rapaz? e com quem tens vivido, velhaco?

—Larga resposta me pedes, e mais tarde t’a darei. Vamos ao ponto. É conhecida a mulher?

—É a prima Beatriz Vahia.

—A mulher de Nicoláo!... Então o homem está a contas com a Providencia mais cedo do que eu esperava!...

—A Providencia não entra n’isto, homem!... Tu sabias que nos amavamos eu e ella?

—Parecia que sim...

—O tio Martinho casou-a...

—Porque tu a deixaste casar: logo, não amavas a prima Beatriz.

—Olha se podes ouvir-me sem grande dispendio das formulas do raciocinio: esse «logo» cheira-me a lente de prima! Bem sabes que perdi dois annos de Coimbra, porque não pude fazer exame de logica. Será moda em Lisboa fallar-se de mulheres em syllogismo? Quando eu vinha por aqui passar ha cinco annos, não havia logica para esta casta de gente!... Saberás, pois, primo Almeida, que Beatriz está em Lisboa, e eu quero que me saibas onde está Beatriz. És capaz?