—Tu nunca te enganas, meu primo—retorquiu, surrindo amargamente;—mas tambem não enganas ninguem.
—Explica-te!
—Mais tarde...
—Porque não ha de ser já?!
—Porque ainda se não gastou a paciencia... Não me faças mais perguntas, visto que eu tenho a delicadeza de te não responder. Se um dia me queixar, não ha de ser de ti.
Nicoláo recolheu a colera e a interrogação imprudente. Compreendeu que Beatriz lhe conhecia deslealdade; e, do aprumo glacial com que ella o invectivou, tambem inferiu que não era amado.
Resignou-se, e protestou acautelar-se, visto que ainda era tempo. As cautelas consistiram em sondar e precatar a fidelidade dos criados. Ia bem n’aquelle rumo!
Passados dias, voltou Beatriz a pedir-lhe que a levasse para Palmeira. Nicoláo respondeu:
—Póde ser na semana que vem.
Escreveu a um amigo de Chaves, perguntando-lhe se Raphael Garção tinha casado com a Angela de Santo Aleixo. Disseram-lhe que Angela havia casado, quatro mezes antes, com o morgado das Boticas, e que o morgado de Fayões ninguem sabia d’elle, porque não escrevia a ninguem.