Antes da hora marcada aos criados, que se embrenharam n’uma bouça, ouviu-se perto o strupido de cavallos no declive pedregoso da calçada. A estrada achanava-se ao cimo da ladeira.

Raphael Garção viu ante si um cavalleiro, quedo e immovel como estatua.

—Quem é?—perguntou engatilhando uma pistola.

—Sou Martinho Xavier, pae de Beatriz.

—Meu tio!—exclamou Raphael, abaixando o braço da pistola.

—Arreda lá com o parentesco, infame villão!—bradou o velho.—Vae perguntar a tua mãe que lacaio te deu o sangue plebeu que te gira nas veias!

—Essa affronta não fere minha mãe, senhor Xavier! respondeu o de Fayões erguido nos estribos.

O criado de Raphael, seu companheiro e guarda desde os quinze annos, esporeou o cavallo com um bacamarte em punho.

—Alto ahi!—ordenou Raphael ao seu valente criado.

O homem susteve o impeto do cavallo, e recebeu no mesmo ponto, duas balas em cheio peito. Oscilou sobre a sella, inclinou a cabeça ao pescoço do empinado cavallo, e, destribado caiu morto em terra.