—Um amigo que me chama a Villa Pouca, tartamudeou.

—E porque não vem cá? replicou a innocente com a cavillosa dialectica de uma senhora já esquecida do tempo em que passou pelas varzeas floridas da innocencia.

—É um francez, meu amigo, que vae de passagem para Hespanha, e precisa de recursos.

—Não se assignou?! redarguiu candidamente Beatriz.

—Não, porque... porque é perseguido em Portugal, e receiou que se desencaminhasse a carta.

—E vae, primo?

—Sem demora. Devo-lhe obsequios.

Estas palavras já foram ditas com toda a quietação de animo. Beatriz socegou; mas, depois que Nicoláo saiu, inquietou-se e mandou, a occultas do pae, um criado a Villa Pouca, espiar os passos do morgado da Palmeira.

Amava-o: estou em crêr que o amava.

Nicoláo de Mesquita ia chammejando de raiva a Margarida. Esporeava o cavallo que devorou as leguas em furiosa desfilada. Soffreava a brida instantaneamente, para meditar no que faria. Baralhavam-se-lhe os planos, todos miseraveis, senão abjectos.